Guga Weigert

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Como eu virei o DJ que sou hoje

Comecei em 2002, meio sem querer. Eu estava numa academia perto da casa dos meus pais, no Leblon, quando conheci o Bruno De Vicq, que já era DJ e sócio de uma agência chamada Rastro Pop. Numa conversa, ele perguntou se eu tinha interesse em ser DJ. Eu era curioso e aceitei conhecer aquele universo — sem plano nenhum além disso.

Aprendendo de perto, numa época bem diferente

Comecei como assistente dos DJs da agência: acompanhava festas, observava como eles trabalhavam, tentava entender o que faziam. Aquilo foi gerando um brilho nos olhos. Passei a fazer cursos e correr atrás de música — numa época em que a gente ainda trabalhava com arquivo WAV, baixava música no Napster e no Soulseek, comprava CD pra extrair faixa. Meu irmão Guilherme me ajudava até a gravar CD. Aos poucos, comecei a tocar em festas de verdade.

Duas experiências fora do Brasil que mudaram como eu ouvia música

Depois fui morar um tempo em Mount Snow, no Vermont, nos Estados Unidos. Levei meus CDs e fui atrás de uma chance pra tocar — apareci no The Silo Bar, conversei com o gerente, e ele me deu as terças e quintas, dias que normalmente não tinham programação nenhuma. Começamos a levar gente da montanha pra lá, e as noites pegaram.

Em 2006 fui estudar na Austrália, em Brisbane. Procurei o Down Under Bar e me ofereci pra tocar. O gerente marcou um teste numa segunda-feira, às 19h. Achei estranho — que chance teria de estar cheio naquele horário? Cheguei e realmente estava vazio. Aquele ano tinha Copa do Mundo, e “Love Generation”, do Bob Sinclar, estava em todo lugar. Montei meu set pra construir uma evolução que terminasse ali. Depois de uns trinta minutos, o público começou a chegar. A casa encheu.

Aprendi ali, na prática, uma coisa que uso até hoje: uma pista não está decidida antes de começar. Ela vai se revelando.

Fiquei responsável pelas noites da casa, toquei em outros lugares, abri set pra DJs conhecidos, e depois de seis meses recebi até uma proposta de patrocínio pra continuar por lá. Tinha um compromisso com meus pais de voltar pro Brasil e terminar meus estudos, então voltei — mas retornei outras oito meses depois, numa segunda passagem pela Austrália.

Uma vida dupla, e a decisão de virar de vez

De volta ao Brasil, continuei cursando Administração na PUC-Rio e entrei na Shell. Durante uns anos toquei praticamente todo fim de semana e trabalhei durante a semana — carreira dupla, cansaço acumulado. Em 2012 saí da Shell, saí também da Rastro Pop, e comecei um projeto independente com o próprio nome: Guga Weigert.

Foi nessa época que nasceu o EXC, hoje um espaço de eventos dentro do Jockey Club, no Rio — um projeto que levou anos até sair do papel. Em paralelo, voltei a tocar em clubs, com um período importante no Sul do Brasil, que me deu uma leitura bem diferente da noite brasileira. Foi numa dessas viagens que conheci o Lucas Borchat, responsável musical do Bagatelle de São Paulo — e quando o Bagatelle abriu no Rio, fui convidado pra assumir a parte musical da casa, incluindo luz e construção da atmosfera da noite. Meus sets ficaram mais dinâmicos ali, e boa parte desses aprendizados eu comecei a levar pros casamentos.

De volta ao que sempre foi o centro

Desde então, concentrei minha atuação em casamentos e festas particulares — hoje já são mais de 1.500, ao longo de aproximadamente 25 anos.

Olhando pra trás, não foi um plano linear. Foi curiosidade, prática e ambientes bem diferentes entre si — um bar vazio numa montanha americana, uma segunda-feira em Brisbane, uma pista de club no Sul, uma casa noturna inteira pra pensar. Cada um desses lugares deixou alguma coisa na forma como eu leio uma pista hoje.

Um pouco mais sobre quem eu sou hoje está em Sobre.

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