Guga Weigert

O trabalho

Antes da primeira música, eu já conheço o espaço e já conheço vocês.

Antes de qualquer festa, existem duas coisas que eu preciso conhecer: o lugar onde aquela pista vai acontecer e as pessoas que vão estar nela. Meu trabalho começa muito antes da primeira música — nas perguntas que eu faço, nas conversas que tenho e no que vou descobrindo pelo caminho. Esses dois olhares, ao longo dos anos, ganharam nome: Blueprint, para o espaço. Soundprint, para as pessoas. Não são dois serviços separados. São parte da forma como eu me preparo para chegar à festa sabendo o suficiente para decidir bem, ao vivo.

Blueprint · o ambiente

Eu olho para o espaço com os olhos de quem vai operar a pista naquela noite.

Onde fica a pista, como as pessoas chegam até ela, o que está por perto — bar, lounges, palco. Como som, luz, circulação e atrações se relacionam com aquele espaço. São escolhas que podem favorecer a pista ou criar dispersões que só seriam percebidas quando a festa já estivesse acontecendo.

Esse olhar caminha junto com quem projeta o espaço, decora, produz, cuida do som e da luz — eu converso com essas pessoas ao longo do processo. É trazer, desde cedo, a perspectiva de quem vai estar ali dentro, tocando, no momento em que a festa já estiver acontecendo.

Para o casal

Vocês não precisam entender de planta baixa, de som ou de circulação de convidados. Essa preocupação é minha. Eu pergunto o que for preciso, converso com quem estiver cuidando do espaço, e chego no dia sabendo como aquele lugar funciona.

Guga Weigert visto de costas na cabine, com o equipamento em primeiro plano e a pista de dança à frente dele

Soundprint · as pessoas

Antes de entender o que vocês querem ouvir, eu quero entender quem vocês são.

Quero conhecer a história de vocês dois, as fases da vida que carregam, as famílias e os grupos de amigos que vão estar na pista, as referências que trazem, as memórias que certas músicas guardam. É isso que eu vou entendendo, aos poucos, antes de qualquer lista de músicas.

E aí entram as ferramentas: conversas, playlist colaborativa, referências musicais, as músicas que não podem faltar, as que vocês querem ouvir, as que não devem tocar. A playlist é onde essas referências ficam guardadas — não é um setlist, e sozinha não representa tudo o que eu preciso saber sobre vocês.

Nas reuniões, eu não estou só coletando música. Vou reparando no que desperta entusiasmo em vocês, na história que vem junto de uma música específica, nas pessoas que vocês citam quando falam dela. Isso me ajuda a ler a pista, depois, na hora.

O que eu peço a vocês

Tudo. A playlist de vocês, as músicas do começo do namoro, aquela que sempre toca quando a família está reunida. Não é para eu tocar tudo — é para eu entender com quem eu vou passar aquela noite.

Performance · ao vivo

Eu chego no dia conhecendo o espaço e conhecendo vocês — mas não chego com a festa decidida. Na pista, eu observo, testo um caminho, leio a resposta, confirmo ou mudo. Acelero quando o grupo pede, seguro quando ainda não é a hora — e é nesse meio-tempo que aparecem os momentos que ninguém planejou.

É aqui que Blueprint e Soundprint se encontram com o que não dava para prever. O que eu sei sobre o espaço e sobre vocês não decide a festa — me dá contexto para ler o que só aparece quando as pessoas certas estão todas ali, juntas, na mesma pista.

Por que eu planejo tanto

O planejamento não existe para controlar a festa. Existe para me dar mais liberdade para decidir durante.

Tudo isso existe para que, no dia, vocês só precisem viver a festa. A próxima conversa é sobre as pessoas que vão estar nela.

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